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Publicado por :   Associação Ginecologistas   |   Dia : 23-03-2022   |   Gostar   Inicie a sua sessão para gostar e partilhar esta dica 239

Pesquisa Clínica: Refinar o diagnóstico clínico com as razões de verosimilhança

Cadernos de apoio à Metodologia de Investigação

Material compilado e traduzido por Prof. Doutor António Bugalho, com autorização de David Grimes, Kenneth Schulz e Robert Jaffe, editores do Obstetrical and Gynecological Survey.


Introdução

ve·ro·si·mi·lhan·ça

(verosímil + h + -ança, por analogia com semelhança

substantivo feminino

Qualidade de verosimilhante. 

"Verosimilhança", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/verosimilhan%C3%A7a [consultado em 18-10-2016]. 

Traduzido por Antonio Bugalho sob autorização de David A Grimes, Kenneth F Schulz 

Apesar da sua grande utilidade na interpretação de dados clínicos, estudos de imagem, testes de laboratório, as razões de verosimilhança (likehood ratios) são pouco utilizadas. A maior parte dos médicos não estão familiarizados com o termo e muito poucos o utilizam na práctica clínica. Num estudo de 300 médicos de várias especialidades, só dois (internistas) usavam likehood ratios para a interpretação de resultados de testes. Descrições simples ajudam os clínicos a compreender estes conceitos, por isso tentaremos fazer as razões de verosimilhança (LR) ao mesmo tempo simples e relevantes. O objectivo é melhorar a familiarização dos clínicos com o conceito. 

Algumas pessoas dizem que os epidemiologistas veem o mundo como uma tabela de dois por dois (2x2). Na verdade, se toda a gente pudesse ser classificada como doente ou saudável, e um teste dicotómico pudesse ser aplicado universalmente, então, cada um dos seis biliões de humanos poderiam caber nessa tabela dicotómica. Infelizmente, nem a vida nem os testes são simples; tudo está cheio de zonas cinzentas. As razões de verosimilhança (likehood ratios), ajudam os médicos a navegar nestas zonas de incertezas clínicas.

Uma razão de verosimilhança (LR) é simplesmente a percentagem de pessoas doentes aplicando o resultado determinado teste , dividida pela percentagem de pessoas não doentes com o mesmo resultado do teste. Uma razão de verosimilhança, como sugere o nome (likehood), é a chance mais possível do resultado do teste numa pessoa doente (com a doença que o teste indicou), comparado com a chance mais possível desse mesmo resultado numa pessoa que não tem essa doença. Percentagem e verosimilhança (likehood) são termos que se empregam em substituição um do outro. As implicações são claras: pessoas doentes devem ter mais chances (Likehood) de ter resultados de testes anormais do que pessoas não doentes. A dimensão destas discrepâncias tem muita importância clínica.

 




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