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Publicado por :   Associação Ginecologistas   |   Dia : 08-09-2021   |   Gostar   Inicie a sua sessão para gostar e partilhar esta dica 372

Procura pelo aborto seguro supera expectativas em Tete

Solicitação do serviço sobe em 163%

Contrariamente ao que assistimos em outras províncias, a afluência às Unidades Sanitárias na província de Tete supera as expectativas. Dados colhidos apontam para a subida em 163% ao nível da procura de atendimento de Aborto Seguro.


As Unidades Sanitárias registaram dos pais e encarregados de educação, mais de 700 solicitações de aborto seguro, no primeiro semestre do ano em curso, contra 267 assinalados em igual período no ano passado, provenientes dos distritos de Moatize, Angónia, Cahora Bassa e Cidade de Tete.

Segundo a responsável provincial de Saúde Materno-Infantil no Serviço Provincial de Saúde em Tete, a enfermeira Milagrosa Sitoe (em foto de capa), o aumento de gravidezes indesejadas é consequência de vários factores sociais e económicos que afectam a vida das famílias.

Fora de casos de gravidezes que surgem por conta da vida sexual activa na adolescência, há requerimentos para solicitação de aborto causados por violações sexuais, desentendimento entre casais, entre outros casos.

Milagrosa Sitoe adverte que o facto de os distritos como Macanga, Chifunde, Mágoè e Marara não terem registado nenhuma solicitação de aborto seguro não significa que estejam isentos de gravidezes indesejadas. Pois os cenários de vivências e problemas que geralmente estão por detrás das gravidezes indesejadas, com forte destaque para as questões económicas, também se verificam nos distritos acima mencionados.

“Há vários argumentos que levam os pais a não submeterem as suas filhas ao aborto, desde questões culturais da comunidade e religiosas. Quando, em 2018, iniciamos o programa houve muita resistência, mas paulatinamente, e após uma sensibilização, as pessoas entenderam e passaram a aderir”- afirma Milagrosa Sitoe.

Entretanto, existem, também, adolescentes que optam pelo aborto clandestino sem consentimento dos pais, temendo represálias uma vez que a efectivação do aborto seguro acontece mediante a solicitação dos pais, o que muitas das vezes traz outras complicações de saúde na rapariga.

Sobre a assistência dada aos adolescentes que interrompem a gravidez, a enfermeira de saúde materno-infantil explica que após o aborto são submetidos ao planeamento familiar e quando é uma pessoa de maior idade, faz-se um aconselhamento por forma a levar a adulta a reflectir melhor sobre a decisão.

Quanto ao grau de humanização no atendimento, as Unidades Sanitárias que se ressentem da falta de insumos para higienização e limpezas desejáveis, há relatos de melhorias. Embora houver necessidade de se fazer maior e muito mais trabalho de base. “É importante que haja constante formação, sobretudo na divulgação da lei da despenalização do aborto”, explica Milagrosa Sitoe.


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