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Publicado por :   Associação Ginecologistas   |   Dia : 18-06-2021   |   Gostar   Inicie a sua sessão para gostar e partilhar esta dica 36

Escola Secundária Francisco Manyanga debate Saúde Sexual e Reprodutiva com enfoque para as consequências do aborto

No âmbito do Projecto pelo Aborto Seguro da AMOG

A Escola Secundária Francisco Manyanga foi palco, na passada sexta-feira, dia 11 de Junho, de um Workshop de Clarificação de Valores e Transformação de Atitudes em Saúde Sexual e Reprodutiva. A iniciativa teve como público-alvo os adolescentes e jovens estudantes daquela escola e foi orientada pelo Dr. Agostinho Daniel e a Dra. Sandra Leão, médicos especialistas em Ginecologia e Obstetrícia e membros da AMOG.


Durante o Workshop, que durou duas horas e meia, participaram 100 estudantes da 11ª e 12ª classes. Com um debate com activa participação dos estudantes e esclarecimentos dos médicos, ficou claro que é necessário investir cada vez mais na consciencialização da camada jovem para que estes possam assumir a dianteira na tomada de decisões nas suas vidas, de modo a que os seus direitos não sejam sistematicamente violados.

Os especialistas presentes na actividade disseram que é preciso levar a sério o Planeamento Familiar, porque é essencial e primordial no combate à transmissão de doenças, gravidez indesejada e consequente aborto. Explicaram aos alunos presentes que nenhum dos métodos é cem por cento eficaz e, por via disso, deve haver uma combinação de métodos e muita disciplina.

No que tange ao aborto, os médicos que dialogaram com os alunos, esclareceram que nunca é completamente seguro, mas os riscos são bastante reduzidos quando é feito no hospital, com um profissional qualificado. “É que este profissional tem a capacidade de controlar os riscos. Quando se faz o aborto fora da Unidade Sanitária, tomando remédios estranhos ou indo a um curandeiro, torna-se mais perigoso ainda, e até se corre o risco de danificar o útero, sendo que a pessoa pode sofrer as consequências no futuro, como infertilidade, por exemplo”. Explicou a Dra. Sandra Leão.

Dr. Agostinho Daniel, Directora da escola, Lúcia Couana e Dra. Sandra Leão

“Nunca vá sozinha ao hospital. Tem de ter um acompanhante. Pode não ser com os pais, mas tem de ter alguém próximo e adulto, podendo ser uma tia, uma professora ou um cuidador... qualquer pessoa do círculo de confiança, para que seja o contacto de referência. Porque se o aborto correr mal e as coisas se complicarem, deve haver alguém que possa tomar responsabilidade, dar autorizações e aconselhar”, aconselhou o Dr. Agostinho Daniel. Igualmente, foi claro ao exaltar que ninguém deve pagar subornos a qualquer um que encontrar no hospital para a realização do aborto. “Neguem se vos pedirem dinheiro, porque depois são esses profissionais que fazem tudo ao contrário e contribuem no aumento de mortes nos hospitais, por causa do aborto mal feito”.

O encontro, bastante animado, serviu também para esclarecimento de dúvidas sobre muitas questões ligadas à Saúde Sexual Reprodutiva, como é o caso dos perigos sobre sexo oral, anal, entre outras práticas.

Tema importante para todos

Painel de abertura da sessão, composto pela Presidente Interina da AMOG, Dra. Hermengarda Pequenino,

a Directora da Escola Secundária Francisco Manyanga, Lúcia Couana e o Dr. Agostinho Daniel

Lúcia Couana, Directora da Escola Secundária Francisco Manyanga, informou-nos que a escola tem beneficiado do apoio da AMODEFA no aconselhamento em matérias de Saúde Sexual e Reprodutiva, mas a directora da instituição disse que é sempre bom ter encontros do género, sobretudo quando orientadas por médicos especialistas na matéria. A directora adiantou que a escola faz a gestão de mais de 6 mil estudantes nos 3 turnos em que opera, e com as restrições desta época de COVID-19, existe a consciência que muitos serviços estão inacessíveis aos estudantes. 

“A actividade e o tema discutido são muito importantes para a escola e para a sociedade no geral. Penso que é importante termos este tipo de debate com regularidade e a mensagem devia ser extensiva aos pais, porque desempenham um papel importante para se evitar futuros problemas”.

“Deve haver mais abertura entre pais e seus filhos.”

― Sheila Bráz

Sheila Bráz é uma jovem de 30 anos que deu o seu testemunho sobre os traumas e consequências do aborto. 

Aos 15 anos teve a sua primeira gravidez e decidiu não ter o bebé. Aconselhada por uma amiga, decidiu tomar café para eliminar o embrião e deu tudo errado. “Comecei a perder sangue. Perdi tanto sangue que uma vez caí e desmaiei. Levaram-me ao hospital, mas se tivesse conversado com meu encarregado, talvez teria zangado, mas teria evitado problemas maiores”.

Sheila acredita que se os pais tiverem mais abertura para conversar com os filhos pode se evitar muitos problemas. “As crianças estão sempre na internet, assistem tudo e enfrentam problemas, só conversando é que poderemos ajudá-lás”.

Sheila Bráz durante o seu depoimento

“Não sabia que aborto é legal.”

― Tinélia Filimone, 12ª classe

“Falou-se de muita coisa, mas eu não sabia mesmo é que o aborto é legal. Sempre nos diziam que quem fizesse aborto ia preso. Também aprendi sobre higiene íntima, o que é muito bom, afinal de contas podia estar a fazer de forma errada e correr o risco de contrair alguma infecção.”

Momentos da actividade

“Aprendi sobre higiene íntima das meninas.”

― Elias Nhantumbo, 12ª classe

“Não sabia sobre aborto clandestino. Já sei que quando a pessoa está grávida deve ir ao hospital para evitar consequências futuras. Também pude aprender sobre como as meninas fazem a higiene íntima. É importante ter esses conhecimentos para poder ajudar aos que não sabem”.

Um dos estudantes durante a sua intervenção.


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