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Publicado por :   Associação Ginecologistas   |   Dia : 16-06-2021   |   Gostar   Inicie a sua sessão para gostar e partilhar esta dica 85

Escola Secundária da Polana satisfeita com Workshop sobre Saúde Sexual e Reproductiva

Uma iniciativa da AMOG

Teve lugar, na última quinta-feira, dia 10 de Junho, na Escola Secundária da Polana, cidade de Maputo, um Workshop que abordou questões ligadas a Saúde Sexual e Reprodutiva, com maior enfoque para o aborto. A palestra que teve como abertura os discursos da Presidente Interina da AMOG, a Dra. Hermengarda Pequenino e o Director da Escola, o Professor Filipe Alfaiado, foi orientada por Emília Selemane, médica ginecologista e obstetra, membro da Associação Moçambicana de Obstetras e Ginecologistas (AMOG), contou com a presença de 50 estudantes e 2 professores daquela instituição de ensino, bem como de representantes da Direcção da Educação da Cidade de Maputo.


Durante a sua intervenção, Emília Selemane explicou como manter a higiene nos órgãos reprodutores femininos e frisou a importância do Planeamento Familiar, tendo abordado detalhadamente é feito o uso de cada método contraceptivo. 

Paralelamente, e já direccionada ao aborto, foi clara: “o aborto é legal, desde que seja feito numa Unidade Sanitária acreditada e até o terceiro mês de gestação, mas antes dos 16 anos devem se fazer acompanhadas dos pais ou encarregado de educação. Só com 16 anos é que a pessoa já tem autonomia para decidir por si. A decisão é sempre da mulher”. Contudo, deixou saber que quando feito de forma insegura pode causar problemas graves de saúde, podendo levar até a morte, “não se deve fazer fora do hospital, porque há muitos riscos e é ilegal.”

A médica Emília Selemane enfatizou ainda que é considerado crime um dos parceiros forçar à outra parte a manter relações sexuais. A ginecologista disse que “tudo o que acontecer deve ser por consentimento, o que significa que estamos a fazer algo sobre a qual concordamos. Caso não, devemos queixar às autoridades competentes”. Explicou também as condições para a realização do aborto em situações em que a gravidez provém de uma violação. “Nestes casos, pode se interromper até aos 4 meses, mas é requisito que a violação tenha sido denunciada às entidades competentes.” 

Dra. Emília Selemane durante a sua intervenção

BALANÇO POSITIVO

Sheilla Davuca, Chefe do Departamento de Nutrição, Saúde Escolar e Serviços de Assuntos Sociais fez um balanço positivo da palestra. “As questões discutidas nos dizem respeito como sociedade moçambicana. Estava mais do que na hora de termos abordagens iguais a que tivemos, com profissionais da Medicina e que trabalham, no seu dia-a-dia, com as faixas etárias abrangidas na palestra. São poucas as oportunidades que temos de trazer um médico, penso que foi produtivo”.

Sheilla Davuca disse ainda que percebeu que os alunos têm muitas informações sobre Saúde Sexual e Reprodutiva, mas necessitam de alguém para lhes ajudar a consolida-las. Apelou aos pais a conversar mais com os seus educandos para que consolidem os seus conhecimentos e que tenham sempre paciência para escutar os filhos e ajudar-lhes a encontrar soluções para os seus problemas. “Há cada vez menos meninas grávidas, e o bom é que estamos a fazer de tudo para que saibam como se direcionar em caso de gravidez. Penso que se caminharmos desta forma, as complicações sobre o aborto vão diminuir”

Delegadas da Direcção de Eduação de Maputo, Sheila Davuca e Maria da Conceição

com a Coordenadora Projecto pelo Aborto Seguro, Eunice Themba

ALUNAS GRÁVIDAS JÁ NÃO MUDAM DE TURNO

― Filipe Alfiado, director da Escola Secundária da Polana 

“Temos um grande desafio com relação a questão da gravidez. Temos tido crianças que estão em situações de gravidez e em algum momento até desistem do ano escolar, porque têm tido complicações.” Apontou a direcção da escola. Neste sentido, a realização da palestra é uma boa iniciativa, porque ajuda a limar as dúvidas. “Este ano ainda não tivemos nenhum caso de aluna grávida. No ano passado tivemos 15 raparigas numa situação de gravidez e destas 4 acabaram ficando fora do sistema por causa de complicações. São números que preocupam”

Para o director da escola, já não faz sentido trocar de turno a menina que se apresentar grávida, porque é a escola que sai a perder. “Hoje em dia a aluna grávida já não passa para o curso nocturno. O balanço mostra que perdíamos mais do que ganhávamos, então estamos a colocá-las nos seus respectivos turnos a estudar”.

Director da Escola Secundária da Polana, Filipe Alfiado e

a Presidente Interina da AMOG Hermengarda Pequenino

“APRENDI MUITO SOBRE A HIGIENE”

― Danilo Daniel, 11ª classe

“Aprendi como as meninas devem fazer a lavagem das genitálias, pois eu não sabia como é que se faz. A idade certa para fazer um aborto, fiquei a saber hoje. Aprendi que também tenho direitos assim como qualquer um. Que devo aprender a tomar minhas próprias decisões”

Momentos do encontro

“É NO HOSPITAL QUE SE FAZ ABORTO”

― Tima Pita, 11ª classe

“A palestra foi boa, aprendi que devemos prestar muita atenção na nossa vida sexual e reprodutiva. Saí da palestra sem nenhuma dúvida, pelo contrário, obtive mais conhecimentos. Aprendi que é no hospital que se faz aborto e que a partir dos 16 anos a pessoa já pode decidir sozinha. Antes dos 16 anos, devemos ir ao hospital com um encarregado de educação. Caso esteja doente, fiquei a saber que é arriscado ter bebé e se quiser abortar, posso”. A estudante mostrou-se satisfeita com a palestra. “Aprendi também que tenho direitos e se não quiser fazer algo, ninguém me deve obrigar”.

Momentos do encontro


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