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Publicado por :   Associação Ginecologistas   |   Dia : 25-05-2021   |   Gostar   Inicie a sua sessão para gostar e partilhar esta dica 152

Comunidade religiosa aberta para conversar sobre Saúde Sexual e Reproductiva Feminina

AMOG busca aliados no COREM

“Não basta ser pastor, tem que ser um pensador!”, disse o Reverendo Marcos Macamo, em conversa com a AMOG sobre a postura que os líderes religiosos devem adotar em relação à questão do aborto.


Em Agosto último, o Projecto pelo Aborto Seguro, levado a cabo pela Associação Moçambicana de Obstetras e Ginecologistas (AMOG), foi recebido por cortesia pelo Conselho de Religiões de Moçambique (COREM), representados pelo Reverendo Albino Mussuei, Secretário Geral do COREM, e pelo Dr. Bulafo, membro da agremiação religiosa.

No encontro, a AMOG partilhou a sua missão e visão, o trabalho que tem feito na área de Saúde Sexual e Direitos Reproductivos da mulher, e manifestou interesse em ter o COREM como parceiro estratégico, propondo um Memorando de Entendimento que visa alcançar os objectivos da associação.

O COREM, de forma pragmática e na voz do Reverendo Albino Mussei, comunicou que “a temática é sensível e delicada no meio religioso, contudo, pelo facto de este representar um problema de Saúde Publica, é reconhecido como sendo relevante.”  O Reverendo acrescentou ainda que pela sua relevância, a Saúde Sexual e Reproductiva da Mulher já tem dentro da COREM um organismo que lida com questões do género. 

“Não basta ser pastor, tem que ser um pensador!”

Nesta série de esforços que a AMOG tem vindo a reunir para criar espaços seguros dentro da sociedade religiosa, a associação sentou com o Reverendo Marcos Macamo, pastor da Igreja Presbiteriana, docente de Ética e Cultura e membro do Conselho Cristão de Moçambique, para conversar sobre o aborto na nossa sociedade.

Na conversa, o pastor reiterou a importância da educação, de se dialogar sobre o assunto e de sempre ponderar sobre a questão tanto sob a perspectiva moral como científica. No entender do líder religioso, a problemática do aborto na nossa sociedade nunca terá consenso entre os diferentes campos de sapiência, no entanto é crucial ponderar cada situação e não se deve ignorar o “respeito pela vida humana, pautando pela conduta saudável e de consideração pelos princípios fundamentais da vida.”

O pastor Macamo defende que é importante respeitar a doutrina religiosa, mas salientou que “para um pastor, não basta ser pastor, tem que também ser pensador, de modo que possa ser guiado pela santidade e pelo seu temor a Deus, mas faça também uso do seu lado racional, que lhe foi dado por Deus, para melhorar e desenvolver o seu próprio pensamento”. Ele também enfatizou que a pobreza, a falta da escolaridade e a promoção da promiscuidade são alguns dos factores que contribuem para gravidezes indesejadas que resultam em aborto.



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