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Publicado por :   Associação Ginecologistas   |   Dia : 20-07-2021   |   Gostar   Inicie a sua sessão para gostar e partilhar esta dica 471

A música é uma ferramenta importante no combate à Mortalidade Materno-Infantil

Uma iniciativa da AMOG

A arte, no geral, e a música, em particular, devem ajudar no combate à mortalidade materno-infantil. Quem assim defende é a cantora Sistah Áfrika, que esteve, juntamente com Yolanda Chicane, vocalista da Banda Kakana, numa palestra de Clarificação de Valores e Transformação de Atitudes em Saúde Sexual e Reprodutiva que decorreu na Escola Secundária Josina Machel, no passado dia 28 de Junho do corrente ano.


O evento tinha como público-alvo adolescentes e jovens daquela escola e contou com a participação da direcção, do corpo pedagógico, bem como de médicas especialistas em Ginecologia e Obstetrícia, membros da Associação Moçambicana de Obstetras e Ginecologistas (AMOG).

Sistah Áfrika e Yolanda Chicane apresentaram uma canção, intitulada Dura Realidade, que versa sobre o combate ao Aborto Inseguro e à Mortalidade Materno-Infantil.

Yolanda Kakana e Sistah Áfrika durante a sua actuação

Na sua intervenção, Sistah Áfrika contou que tem memórias tristes sobre a prática do aborto inseguro. O drama aconteceu em 2015, facto que veio a lhe causar problemas sérios de saúde. Por isso, decidiu abraçar o activismo porque acredita que é um dos meios que podem ajudar na luta contra o aborto inseguro. “Decidi abraçar esta causa porque achei pertinente. As meninas perdem vida por conta do aborto inseguro e ilegal. Então, achei bom fazer parte desta campanha para ajudar mesmo na conscientização das meninas”

Para a artista, é preciso, igualmente, organizar-se palestras nas comunidades para que se possa divulgar a lei do aborto, concorrendo para a redução do aborto ilegal e da mortalidade materno-infantil. Sistah Áfrika disse ainda que é preciso começar a combater o estigma nas comunidades para com as pessoas que fazem ou fizeram aborto. “Conheço meninas que sofreram discriminação por causa do aborto. Daí que é necessário a sociedade conhecer a lei e saber que a mulher é livre para decidir o que é melhor. É importante que os mais velhos saibam disto tudo”.

Presidente Interina da AMOG, Dra. Hermengarda Pequenino e Yolanda Kakana

procedendo à entrega de certificado de participação à directora da escola

Alunos da Josina Machel interagem com médicas sobre saúde sexual.

Os alunos da Escola Secundária Josina Machel apresentaram à Dra. Emília Selemane e Dra. Zara Manhique, médicas presentes no evento, dúvidas sobre saúde sexual e reprodutiva. Uma das preocupações era saber sobre as consequências do aborto inseguro. Outros abordaram as especialistas sobre a legalidade ou não do aborto, tendo ficado claro que “o aborto é legal, desde que seja feito até o terceiro mês de gestação”, disse Emília Selemane, médica ginecologista e membro da AMOG.

 A médica deixou claro que o aborto não deve ser feito fora do hospital. Esclareceu que o aborto inseguro tem consequências graves, podendo leva à morte. “Não se deve fazer fora do hospital, porque há riscos. A pessoa pode sofrer hemorragia, ter lesões internas, anemia, entre outros”.

Dra. Emília Selemane interagindo com os estudantes

“APRENDI MUITO SOBRE O ABORTO”

― Gilberto Fumo, 11ª classe

“Eu não sabia nada sobre o aborto seguro e inseguro, mas porque nunca estive na situação que obrigasse a ter de seguir esse caminho. Também não sabia que era legal e que já não é punível na lei. Foi um momento de aprendizado e valeu a pena estar na palestra. Outra informação que tive é sobre a questão da higiene pessoal. Pude aprender muito, sobretudo a forma como as meninas devem lavar a sua parte íntima”.

Dra. Zara Manhique durante a sua intervenção

“NÃO SABIA QUE O ABORTO É FEITO EM TODOS OS HOSPITAIS”

― Joana Patrícia, 12ª classe

“A palestra foi boa, deu para ter mais informações das médicas que estiveram a conversar connosco e a esclarecer as nossas dúvidas. Eu não sabia que se pode fazer aborto em todos os hospitais e que é gratuita, essa informação é nova para mim. Também fiquei surpresa ao saber que a partir dos 16 anos já posso bem fazer o aborto, desde que me faça ao hospital. Nesta palestra pude também ter mais informações sobre o aborto clandestino, algo que devemos evitar para não correr risco de vida”.


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